Perda auditiva mista

A perda auditiva pode se manifestar de diferentes formas, dependendo da localização da lesão no ouvido. Basicamente, há três principais tipos de deficiência auditiva: a condutiva, e sensorioneural e a perda auditiva mista.

Apesar de atingirem áreas diferentes e receberem tratamentos distintos, muitas pessoas confundem as informações sobre as perdas auditivas. Nesse cenário, uma das principais dúvidas que surgem é sobre a perda auditiva mista, uma vez que ela é uma combinação das outras duas.

Se você também tem questionamentos sobre a perda auditiva mista, este post é para você! Nele, abordaremos as principais causas, os níveis de danos que podem ocorrer, bem como o diagnóstico e os tratamentos indicados. Continue a leitura para saber mais!

O que é a perda auditiva mista?

A perda auditiva mista é uma combinação entre perda auditiva condutiva com a sensorioneural, provocada por danos na orelha externa e interna. Nesse caso, o ouvido externo fica impedido de conduzir o som adequadamente para a orelha interna, que, por sua vez, não consegue processá-lo e levá-lo ao cérebro.

Em grande parte das vezes, é possível reverter o problema relacionado a condução do som. Entretanto, o problema sensorial tende a ser permanente. Ainda assim, é possível se ter uma boa qualidade de vida fazendo o uso de aparelhos auditivos.

Quais são as principais causas da perda auditiva mista?

Há diversas causas da perda auditiva mista, como enfermidades, fatores genéticos, medicamentos, traumatismo craniano e disfunção no ouvido interno. Nesse sentido, a perda condutiva pode ser provocada por excesso de cera, conhecida também como cerúmen, infecções locais, fluidos no ouvido médio, perfuração ou má-formação do ouvido externo e médio.

Já a perda auditiva sensorioneural é o resultado da falta ou do dano de alguma parte do ouvido interno, como células ciliadas na cóclea ou nas vias nervosas condutoras do som ao cérebro. Tais estruturas são responsáveis pela transmissão do som ao sistema nervoso auditivo central (SNAC) por meio de impulsos nervosos.

Veja, a seguir, as principais causas da perda auditiva mista!

Fatores genéticos

Embora a perda auditiva relacionada à idade ou à exposição ao ruído seja mais comum que a genética, essa última ocorre em 1 a cada 1.000 a 2.000 nascimentos. A forma mais frequente é a herança autossômica recessiva, que representa mais de 75% de toda a perda auditiva congênita.

Disfunção no ouvido interno

O ouvido interno é onde se localizam a cóclea e o nervo auditivo, nele podem ocorrer disfunções por envelhecimento natural, doenças ou danos ao sistema de audição, que podem levar à labirintite e à perda auditiva mista.

A exposição a ruídos por um tempo prolongado, no ambiente de trabalho ou em eventos, com sons altos e contínuos, prejudica o ouvido interno de forma lenta e progressiva. A falta de cuidados nesse sentido pode levar à perda auditiva.

Enfermidades

As doenças crônicas, como diabetes e hipertensão arterial, podem provocar danos aos vasos sanguíneos interferindo na irrigação das estruturas do sistema auditivo.

Medicamentos ototóxicos

A perda auditiva está entre os efeitos colaterais que são menos comentados nas bulas de medicamentos. Entretanto, vários remédios podem provocar uma perda auditiva que se desenvolve de forma rápida e pode ser temporária ou apresentar um comprometimento permanente.

Veja, a seguir, os principais medicamentos capazes de danificar a audição:

  • Aspirina — perda auditiva temporária, normalmente associada a grandes doses diárias (8 a 12 comprimidos);
  • Anti-inflamatórios não esteroides (ibuprofeno e naproxeno);
  • Antibióticos — a classe dos aminoglicosídeos mais utilizada apresenta probabilidades de 20% a 60% para o risco de perda auditiva permanente;
  • Medicamentos quimioterápicos — a carboplatina, a cisplatina e a bleomicina alteram as funções auditivas.

Quais são os possíveis níveis de danos da perda auditiva?

O nível do dano na audição é obtido de acordo com a medição dos decibéis (dB) que a pessoa consegue ouvir. Dessa forma, as perdas neurossensoriais podem ser de leves a profundas, enquanto as condutivas costumam ser, no máximo, moderadas. Nesse sentido, o grau da perda auditiva mista pode variar de acordo com as estruturas da orelha que foram acometidas e os danos que sofreram.

Com a perda auditiva mista, as pessoas passam a não ouvir sons entre 0 e 25 dB. A partir disso, os graus de perda, de acordo com uma das classificações mais usadas (Loyd e Kaplan, 1978), podem ser:

  • Limiares normais: 0 a 25 dB;
  • Leve: 26 a 40 dB — a pessoa não ouve ruídos distantes e sons suaves e apresenta um pouco de dificuldade para entender a fala em ambiente mais ruidoso;
  • Moderado (41 a 55 dB) — é difícil o entendimento da fala em tom normal, assim como a audição de sons mais altos (latido de cachorro ou choro de bebê). A comunicação fica limitada;
  • Moderadamente severo (56 a 70 dB) — há uma piora importante em relação à compreensão e ao entendimento da fala. A dificuldade é claramente perceptível;
  • Severo (71 a 90 dB) — não entende a fala, não ouve o telefone tocar e poucos sons são percebidos;
  • Profundo (>91 dB) — não ouve som de fala e os considerados muito altos (serra elétrica, helicóptero, turbina de avião etc.). Nesse caso, é praticamente impossível a comunicação sem uso de aparelho auditivo.

Como é feito o diagnóstico da perda auditiva mista?

O profissional responsável por um primeiro diagnóstico de perda auditiva é o fonoaudiólogo que realiza um exame de audiometria para avaliar a capacidade do paciente em ouvir e interpretar sons. Esse exame verifica, ainda, a existência de algum dano nos ouvidos e indica o grau e o tipo.

Outros exames também podem ser solicitados para a investigação de condições relacionadas à perda da audição, bem como às suas possíveis causas. Caso haja confirmação da perda auditiva, o paciente é encaminhado para um médico otorrinolaringologista.

Quais são os tratamentos para a perda auditiva mista?

Aparelhos Auditivos

A perda auditiva mista é tratada de acordo com o nível, os fatores que causaram o problema, as estruturas afetadas e as particularidades do paciente. O tratamento pode combinar diversas técnicas ou tratar isoladamente as perdas condutivas e neurossensoriais, uma de cada vez.

Embora a perda da parte condutora da audição possa ser tratada por meio de medicamentos ou cirurgias, a neurossensorial exige o uso de um aparelho auditivo para a amplificação dos sons. Os tratamentos incluem:

  • Medicamentos — para o tratamento das doenças que causaram a perda auditiva, antioxidantes e complexos vitamínicos que melhoram a audição;
  • Limpeza dos ouvidos — remoção de excesso de cera ou corpo estranho que se encontrem no canal auditivo. Esse procedimento só pode ser realizado por um otorrinolaringologista;
  • Cirurgia — para a reparação de tímpano perfurado ou reconstrução de ossículos danificados;
  • Aparelho auditivo — para captação e amplificação dos sons do ambiente para que a pessoa consiga ouvi-los;
  • Implante auditivo de ouvido médio — implantação cirúrgica de dispositivo para converter os sons em vibrações mecânicas na orelha média e conduzi-los à interna.

É importante ter em mente que o tratamento para a perda auditiva mista tem um grande potencial de restabelecer a comunicação dos pacientes com perda de audição em qualquer grau. Esse é um aspecto fundamental para a melhoria da qualidade de vida.

Como pudemos verificar, a perda auditiva mista pode ter como origem diferentes causas. Dessa forma, é essencial buscar ajuda profissional para a realização de exames e tratamentos adequados o mais precocemente possível, a fim de evitar o agravamento da condição. Lembrando sempre que a idade é um fator de risco para a perda auditiva mista, por isso, pessoas com mais de 65 anos devem estar atentas aos sinais.

Este artigo foi útil para você aprender sobre a perda auditiva mista? Se quiser saber mais sobre cuidados com a audição, leia a respeito dos tipos de deficiência auditiva e as diferenças entre elas.

7 Comentários

  1. Adjunior

    Estou com zumbido do lado direito e ouvindo pouco tb

    Responder
    • Blog Autor

      Oi, Adjunior! Tudo bem?
      para solucionar o seu problema, acreditamos que a melhor escolha seria buscar por um otorrinolaringologista para te auxiliar.

      Responder
  2. Adjunior Francisco da Silva

    Meu ouvido da zumbindo e estou com dificuldades pra ouvir

    Responder
    • Blog Autor

      Oi! Tudo bem?
      Para solucionar o seu problema, acreditamos que a melhor escolha seria buscar por um otorrinolaringologista para te auxiliar.

      Responder
  3. Eliesse Coelho

    Adorei o texto, muito bom!

    Responder
    • Blog Autor

      Oi, tudo bem?
      Obrigado, ficamos muito felizes com seu Feedback!

      Responder
  4. Ildilene Moreira Correia

    Estou com um zumbido no ouvido esquerdo e dificuldade pra ouvir no exame que eu fiz deu perda auditiva mista de grau severo ,os medicamentos que o otorrino passou ñ adiantou nada,vcs me indinca um medicamento?

    Responder

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